A passagem de bastão
Como a própria vida, há o tempo. Cada momento da sociedade tem anseios, pensamentos e preocupações, externalizadas também na política e debates. O passar dos anos traz novas discussões que podem completar ou suplantar as anteriores.
No passado, o combate a hiperinflação, o civilismo, a indústria automobilística foram pautas eleitorais, temas hoje periféricos, sem fôlego para mudar voto de ninguém.
Nos anos 80/90 emergiu no cenário político uma força então jovem, filhos pródigos ou renegados do regime militar. A supressão do direito ao voto, a proliferação de poderosos nomeados - prefeitos e senadores biônicos - terminaram por definir como protagonistas, a partir das eleições estaduais de 1982, aqueles que tiveram suas carreiras na militância pelo MDB - fossem democratas legítimos ou apenas autoritários de outros espectros - e integrantes de grupos revolucionários recém tornados partidos - fossem autoritários de outros aspectos ou até mesmo democratas.
Embora tenha havido ainda certo fôlego para algumas figuras pró-regime, essas muito mais por méritos locais próprios, as vitórias da velha guarda opositora ao regime, notadamente PMDB e PDT, a.k.a. Brizola, foram marcantes. Desses veteranos, em sequência natural, vieram os calouros, sem que qualquer ruptura fosse estabelecida. Mudaram-se as cartas, mas o jogo seguiu.
De 1982 até 2014, em maior ou menor medida, sempre ressaltou-se o histórico do então candidato, ou de seu herdeiro, nos tempos do regime militar. Fotos do sujeito preso, discursando em assembléias estudantis, no exílio eram regra. Localmente, as mesmas figuras se revezavam em cargos majoritários e no senado - cuja composição era, em boa parte, regular - os mesmos nomes ou sobrenomes. Exceto uma ou outra quebra de hegemonia local, nunca nacional, esse foi o panorama.
A grande novidade de 2018 é perda total de fôlego desta narrativa. A troca das gerações de políticos - aqui menciono geração sem caráter familiar - foi a tônica. A velha história de luta democrática não convenceu, de norte a sul. Caciques caíram, mudaram para cargos menores. Surge uma nova pauta. Nos cargos majoritários contam posições atuais, não as do passado.
A ditadura militar hoje, parece ter perdido a influência eleitoral de outrora. A maioria de velhos políticos parece ter ficado pelo caminho, sem entender o que passou. Opositores e jornalistas colaram o rótulo de pró-ditadura em Jair Bolsonaro, sem qualquer reflexo em seus simpatizantes.
Volto ao tempo. Ele passa para as pessoas e também para o país. Eventos traumáticos, bons ou maus, vão aos poucos deixando os corações dos homens para entrar na história. Quem não viveu anos de repressão não os vê, com a mesma intensidade de quem os viveu.
A nova república, nascida em 1985, é o regime do qual o povo vive, ou até o único vivido. Seus resultados parecem dar o tom das opiniões. Há polarização, há repúdio a agenda de maior preponderância estatal, há objeção a política soft, sem posicionamento claro, em cima do muro.
O tempo passou. O cordão umbilical com as décadas de 60/70/80/90 vinha sendo distendido, mas mantinha seu fluxo. Foi cortado. Começa uma novo ciclo.
Como a própria vida, há o tempo. Cada momento da sociedade tem anseios, pensamentos e preocupações, externalizadas também na política e debates. O passar dos anos traz novas discussões que podem completar ou suplantar as anteriores.
No passado, o combate a hiperinflação, o civilismo, a indústria automobilística foram pautas eleitorais, temas hoje periféricos, sem fôlego para mudar voto de ninguém.
Nos anos 80/90 emergiu no cenário político uma força então jovem, filhos pródigos ou renegados do regime militar. A supressão do direito ao voto, a proliferação de poderosos nomeados - prefeitos e senadores biônicos - terminaram por definir como protagonistas, a partir das eleições estaduais de 1982, aqueles que tiveram suas carreiras na militância pelo MDB - fossem democratas legítimos ou apenas autoritários de outros espectros - e integrantes de grupos revolucionários recém tornados partidos - fossem autoritários de outros aspectos ou até mesmo democratas.
Embora tenha havido ainda certo fôlego para algumas figuras pró-regime, essas muito mais por méritos locais próprios, as vitórias da velha guarda opositora ao regime, notadamente PMDB e PDT, a.k.a. Brizola, foram marcantes. Desses veteranos, em sequência natural, vieram os calouros, sem que qualquer ruptura fosse estabelecida. Mudaram-se as cartas, mas o jogo seguiu.
De 1982 até 2014, em maior ou menor medida, sempre ressaltou-se o histórico do então candidato, ou de seu herdeiro, nos tempos do regime militar. Fotos do sujeito preso, discursando em assembléias estudantis, no exílio eram regra. Localmente, as mesmas figuras se revezavam em cargos majoritários e no senado - cuja composição era, em boa parte, regular - os mesmos nomes ou sobrenomes. Exceto uma ou outra quebra de hegemonia local, nunca nacional, esse foi o panorama.
A grande novidade de 2018 é perda total de fôlego desta narrativa. A troca das gerações de políticos - aqui menciono geração sem caráter familiar - foi a tônica. A velha história de luta democrática não convenceu, de norte a sul. Caciques caíram, mudaram para cargos menores. Surge uma nova pauta. Nos cargos majoritários contam posições atuais, não as do passado.
A ditadura militar hoje, parece ter perdido a influência eleitoral de outrora. A maioria de velhos políticos parece ter ficado pelo caminho, sem entender o que passou. Opositores e jornalistas colaram o rótulo de pró-ditadura em Jair Bolsonaro, sem qualquer reflexo em seus simpatizantes.
Volto ao tempo. Ele passa para as pessoas e também para o país. Eventos traumáticos, bons ou maus, vão aos poucos deixando os corações dos homens para entrar na história. Quem não viveu anos de repressão não os vê, com a mesma intensidade de quem os viveu.
A nova república, nascida em 1985, é o regime do qual o povo vive, ou até o único vivido. Seus resultados parecem dar o tom das opiniões. Há polarização, há repúdio a agenda de maior preponderância estatal, há objeção a política soft, sem posicionamento claro, em cima do muro.
O tempo passou. O cordão umbilical com as décadas de 60/70/80/90 vinha sendo distendido, mas mantinha seu fluxo. Foi cortado. Começa uma novo ciclo.
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